segunda-feira, 26 de março de 2012
Na estrada
Então vamos todos por o pé na estrada, seguir esse longo caminho essa estrada que parece não ter fim, diversos carros, carretas, caminhões e camionetes, motos, bicicletas; cada um vai como pode. Essa estrada única chamada vida em que todos vão para um sentido que ninguém sabe qual é. Uma estrada longa e única com diversas faixas. Algumas faixas encontram-se livras, outras o fluxo é maior e outras engarrafadas. Alguns carros resolvem seguir na contra-mão e causam danos não só a eles mas a outros veículos. Causam acidentes em outros veículos. A caminhada é longa então buscamos fazer um revezamento então entrei num carro em janeiro que achei o piloto bom. Um bom motorista que sabe pra onde vai, em que velocidade vai, em qual faixa vai, alguém que quer se arriscar a conhecer o caminho. Então sou convidado a sentar ao lado desse motorista e seguir em frente, JUNTOS. Lado a lado. Unidos venceremos, unidos permaneceremos. Outros carros passam ao meu lado e buzinam, ligam o pisca-alerta, acenam, mas nada me tira o foco. Eu e você seguindo para o horizonte. E numa curva acentuada as coisas perdem o sentido, o controle, então eu passo a não ter a prioridade que rinha antes, outras coisas começam a ocupar uma posição sempre mais importante que a minha. Então sou colocado no banco de trás, mas sempre no mesmo carro dando suporte ao motorista. E o foco se perde e eu fico jogado no banco de trás como uma mala que fica solta no porta-malas. Então não há mais nada a fazer. Então eu fico ali, na inércia do banco traseiro... Então o tempo passa, os carros passam, a avenida passa, a vida passa. Então o motorista não é mais papel fundamental nessa viagem e eu fico olhando pela janela que suga o sangue das imagens. Olhando a paisagem, os carros, os outros motoristas e vejo outras possibilidades melhores, vejo carros velozes, coloridos, potentes e luxuosos. E eu ali, jogado no banco de trás. Então as imagens que a tela-janela me apresentam se torna o mais importante naquele momento. E o motorista me cobra atenção, fidelidade, cumplicidade, ele quer assistência, ele quer atenção, ele quer, quer e quer e não fez por onde merecer a minha presença ao lado dele. Então... Sem que ele perceba (já que não me percebia antes) eu faço um ato suicida: com o carro em movimento e sem ser notado ou percebido, abro a porta traseira e pulo pra beira da estrada... O carro continua...acho que o motorista se garante na viagem sozinho... Então eu sigo o meu caminho a pé... na esperança que de encontrar um carro abandonado ou alguém que queira seguir o caminho acompanhado de alguém que o mereça. E vou seguindo esse longo caminho chamado vida.
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