terça-feira, 15 de novembro de 2011

Rasguei

Rasguei as fotocópias da faculdade, as traças que acumulei no armário;
Rasguei as partituras de violão erudito, os poemas não compreendidos;
Rasguei os vídeos que falavam de amor, que me remetiam a você;
Rasguei a distância Curitiba / São Paulo; São Paulo / Rio;
Rasguei seu passado sofrido, seu presente incrédulo;
Rasguei minha ferida e minha insegurança;
Rasguei meu medo, e meu lado sombrio onde me protejo;
Rasguei as rosas quem eram de papel, os recortes de jornal;
Rasguei a água salgada que escorre sempre que você não me atende;
Rasguei meu ar de ironia, rasguei minha cama fria, a luz acesa pra dormir, o escuro pra chorar;
Rasguei como um animal aquilo que uivava triste no estomago e ainda soluça ao amanhecer. 
Rasguei o que em mim era lixo agora que tenho certeza.
Pois rasgar foi a única maneira de voltar a minha velha certeza de nada e ainda assim não te esquecer.


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